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Práticas Integrativas em Saúde: o que são, para que servem e como funcionam no SUS

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) fazem parte de um movimento crescente dentro da saúde brasileira que busca compreender o cuidado de forma mais ampla, profunda e humana. O interesse por essas práticas não surge apenas da busca por alternativas naturais, mas da necessidade de modelos de atenção que respeitem o corpo, a mente, o ritmo de cada pessoa e sua relação com o ambiente.

Desde a criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), em 2006, o SUS tem ampliado a oferta de práticas reconhecidas por sua segurança e potencial terapêutico. Hoje, elas já fazem parte da rotina de milhares de unidades de saúde no país, envolvendo ações individuais e grupos comunitários, principalmente na Atenção Básica e nos serviços de saúde mental.

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O que são as Práticas Integrativas em Saúde (PICS)?

Pessoa praticando yoga em grupo, uma das Práticas Integrativas em Saúde oferecidas no SUS.

As PICS englobam um conjunto diverso de práticas terapêuticas baseadas em conhecimentos tradicionais, saberes populares, técnicas corporais, uso de plantas medicinais e abordagens mente-corpo. Elas não substituem tratamentos clínicos convencionais, mas podem complementar o cuidado, trazer alívio de sintomas, estimular o autocuidado e promover bem-estar.

Estão dentro desse grupo práticas como acupuntura, homeopatia, fitoterapia, yoga, meditação, arteterapia, musicoterapia, reiki, auriculoterapia, biodança, terapia comunitária integrativa, entre muitas outras. Cada uma tem sua história, seu método de atuação e seus objetivos específicos, mas todas compartilham um mesmo propósito: favorecer o equilíbrio integral da pessoa.

Por que as PICS têm crescido tanto?

O aumento no interesse por essas práticas está ligado a vários fatores. Muitas pessoas procuram formas de reduzir estresse, melhorar a qualidade do sono, aliviar dores ou encontrar espaços de expressão emocional que não se limitem a consultas rápidas. Profissionais de saúde, por sua vez, têm percebido que a combinação entre tratamentos convencionais e práticas complementares oferece resultados mais abrangentes e acolhedores.

Outro ponto importante é que muitas PICS são realizadas em grupo, fortalecendo redes sociais, estimulando vínculo com o serviço e criando um ambiente mais comunitário e participativo. Isso faz bastante diferença em serviços como CAPS, ambulatórios e unidades da Atenção Básica, onde a convivência e o apoio mútuo são fundamentais para a recuperação.

O que a ciência mostra até agora

Sessão de meditação, técnica mente-corpo das Práticas Integrativas em Saúde para redução de estresse.

A pesquisa na área das PICS vem crescendo, e vários estudos já demonstram benefícios especialmente nas práticas mente-corpo. Há evidências consistentes sobre os efeitos positivos da meditação, yoga, tai chi e mindfulness para ansiedade, depressão leve, estresse e bem-estar geral. A acupuntura apresenta resultados promissores no alívio da dor e na regulação corporal, e alguns fitoterápicos têm efeitos reconhecidos quando usados com acompanhamento profissional.

É importante lembrar que cada prática tem sua própria base científica e que o SUS só reconhece aquelas consideradas seguras e adequadas para uso regular em serviços de saúde.

Como as PICS funcionam dentro do SUS

Pessoas em círculo durante atividade de arteterapia, demonstrando o uso de Práticas Integrativas em Saúde em grupo.

As PICS já fazem parte de diferentes políticas e programas de saúde. Na prática, a implementação costuma acontecer de formas variadas, de acordo com a realidade da comunidade. Alguns exemplos incluem:

  • grupos semanais de meditação e respiração na Atenção Básica; 
  • oficinas de arteterapia e dança em serviços de saúde mental; 
  • uso de plantas medicinais em programas de fitoterapia; 
  • sessões de acupuntura para dor crônica e tensões musculares; 
  • encontros de terapia comunitária integrativa para fortalecimento de vínculos; 
  • práticas corporais como yoga e alongamento para usuários e equipes de saúde. 

Além dos efeitos terapêuticos, muitas dessas atividades ajudam a criar espaços de convivência, conversa e acolhimento, contribuindo para um ambiente mais humano e menos centrado apenas na doença.

O impacto das PICS na saúde mental

Na saúde mental, as PICS cumprem um papel importante ao ampliar os meios de expressão e cuidado disponíveis. Oficinas artísticas, atividades corporais e práticas meditativas oferecem caminhos para lidar com emoções, reduzir tensões, desenvolver consciência corporal e fortalecer a autoestima. Muitas vezes, esses espaços se tornam fundamentais para pessoas que têm dificuldade em se expressar verbalmente ou que precisam de atividades que complementem a psicoterapia e o acompanhamento psiquiátrico.

Outro aspecto relevante é a possibilidade de criar espaços de pertencimento. A sensação de fazer parte de um grupo, compartilhar experiências e construir vínculos positivos impacta diretamente a recuperação e a qualidade de vida.

Como implementar PICS com segurança

Oficina de arteterapia com materiais de pintura, utilizada como Práticas Integrativas em Saúde na atenção psicossocial.

Para integrar as PICS à rotina dos serviços, alguns cuidados são essenciais:

  • garantir que profissionais estejam capacitados e certificados; 
  • registrar as práticas no prontuário, assim como qualquer outra atividade terapêutica; 
  • observar contraindicações, principalmente no uso de plantas medicinais; 
  • dialogar com a equipe para definir como a prática se integra ao projeto terapêutico; 
  • ouvir a comunidade para escolher práticas que realmente respondam às necessidades locais.

Quando bem implementadas, as PICS tornam-se um complemento valioso ao tratamento convencional, oferecendo novas possibilidades terapêuticas sem substituir o cuidado clínico já estabelecido.

Lembre-se: Para integrar as PICS à rotina com o máximo de segurança e eficácia, a formação é essencial.

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Por que falar sobre PICS hoje é tão importante

As demandas em saúde mental têm crescido em todo o país, e muitos serviços lidam com sobrecarga, espera alta e necessidades complexas. As PICS ajudam a ampliar o cuidado, criar espaços mais acolhedores e envolver os usuários em atividades significativas, trazendo mais participação e autonomia ao tratamento.

Ao mesmo tempo, valorizam a cultura, a comunidade, a expressividade e os saberes populares, algo que está totalmente alinhado aos princípios do SUS.

Conclusão

As Práticas Integrativas em Saúde representam uma forma mais sensível, humana e completa de olhar para o cuidado. Elas não substituem tratamentos médicos, mas ampliam as formas de atenção, fortalecem o vínculo entre profissionais e usuários e promovem bem-estar de maneira acessível e participativa.

Integradas ao SUS, especialmente na saúde mental, tornam-se ferramentas potentes para apoiar o cuidado integral, estimular o autocuidado e construir ambientes mais acolhedores e significativos.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Disponível em:
    https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pics 
  2. Ministério da Saúde. Recursos Terapêuticos – PICS. Disponível em:
    https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pics/recursos-teraupeticos 
  3. ObservaPICS / Fiocruz. PICS – Informações gerais sobre as práticas integrativas no SUS. Disponível em:
    https://observapics.fiocruz.br/sobre/pics/ 
  4. ObservaPICS / Fiocruz. Práticas Integrativas e Complementares – Informações institucionais. Disponível em:
    https://observapics.fiocruz.br/sobre/praticas-integrativas-e-complementares/ 
  5. ObservaPICS / Fiocruz. Boletim Evidências nº 17 (Mai–Ago/2024). Disponível em:
    https://observapics.fiocruz.br/produtos/edicoes/boletim-evidencias-17/ 
  6. ObservaPICS / Fiocruz. Boletim Evidências nº 16 (Jan–Abr/2024). Disponível em:
    https://observapics.fiocruz.br/wp-content/uploads/2024/06/Boletim-Evidencias-16-ObservaPICS.pdf 
  7. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares realizam mais de 7 milhões de procedimentos em 2024. Disponível em:
    https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/03/praticas-integrativas-e-complementares-realizam-mais-de-7-milhoes-de-procedimentos-em-2024-ampliando-cuidado-integral-no-sus 
  8. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde crescem 70% e ampliam o acesso ao cuidado integral no SUS. Disponível em:
    https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/marco/praticas-integrativas-e-complementares-em-saude-crescem-70-e-ampliam-o-acesso-ao-cuidado-integral-no-sus

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