Ouvir vozes em si nem sempre é Sintoma de uma Doença
Ouvir vozes é uma experiência mais comum do que se imagina, mas ainda cercada por estigmas. Muitas vezes, quem se declara ouvidor de vozes é rapidamente rotulado como “louco” ou diagnosticado com esquizofrenia. No entanto, estudos mostram que ouvir vozes nem sempre é sinal de uma doença mental e pode estar ligado a diferentes fatores emocionais, psicológicos e sociais.
Neste artigo, vamos explorar o que significa ouvir vozes, suas possíveis causas, os principais estudos sobre o tema e como lidar com essa vivência de forma saudável.
O que significa ouvir vozes?
Ouvir vozes é a percepção auditiva de sons ou falas que não têm origem externa. Para alguns, essas vozes podem ser neutras ou até positivas; para outros, podem trazer sofrimento e impactar o bem-estar.
De acordo com a rede internacional INTERVOICE, cerca de 2 a 4% da população mundial ouve vozes em algum momento da vida. No entanto, apenas uma em cada três dessas pessoas se torna paciente psiquiátrico. Isso significa que muitas pessoas conseguem conviver bem com suas vozes, sem que isso comprometa sua saúde mental.

Ouvir vozes é sempre sinal de esquizofrenia?
Um dos maiores estigmas associados ao fenômeno é a ideia de que ouvir vozes está diretamente ligado à esquizofrenia. Pesquisas, no entanto, mostram o contrário.
Embora exista uma semelhança entre os sintomas, ouvir vozes não é, por si só, sinônimo de transtorno mental. Segundo a INTERVOICE (2017), em consultas psiquiátricas, as chances de alguém receber um diagnóstico de esquizofrenia ao relatar vozes chegam a 80%. Esse número mostra como a patologização é comum, mesmo quando não há outros sintomas associados.
Experiências comuns de quem ouve vozes
A relação de cada pessoa com suas vozes é única. Estudos apontam que a diferença fundamental entre quem sofre com elas e quem consegue lidar bem está no tipo de relação que estabelecem com suas vozes.
As vozes podem:
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Trazer mensagens ligadas a experiências passadas não resolvidas;
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Reforçar memórias dolorosas ou traumas;
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Aparecer em momentos de maior estresse ou ansiedade;
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Ajudar, em alguns casos, como forma de reflexão interna.
Quando vistas como mensageiras, as vozes podem ser interpretadas como expressões de conteúdos emocionais não elaborados. No entanto, quando se tornam invasivas e negativas, podem causar sofrimento e impactar a qualidade de vida.

Pesquisas sobre ouvir vozes
Um estudo realizado pela pesquisadora Sandra Escher, doutora em psiquiatria social pela Universidade de Maastricht, acompanhou 82 crianças que relatavam ouvir vozes durante quatro anos. O resultado mostrou que 64% delas deixaram de ouvir vozes ao longo do tempo, aprendendo a lidar melhor com suas emoções e diminuindo os níveis de estresse.
Esse dado reforça a ideia de que, em muitos casos, o fenômeno pode ser transitório e não necessariamente patológico.
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Intervoice: a rede mundial de ouvidores de vozes

A Intervoice é uma das maiores instituições internacionais dedicadas ao tema. Criada no fim da década de 1980 pelo psiquiatra Marius Romme, a rede nasceu a partir da experiência clínica com sua paciente Patsy Hage.
Patsy levantou uma questão que transformaria a visão de Romme: “Se você acredita em Deus, que nunca viu ou ouviu, por que não pode acreditar nas minhas vozes, que realmente escuto?”
A partir disso, Romme e sua equipe passaram a ouvir os relatos dos pacientes e a enxergar as vozes como experiências significativas, em vez de apenas sintomas psiquiátricos. Assim nasceu a Intervoice, que hoje promove apoio e troca de experiências entre ouvidores de vozes em todo o mundo.
Hoje, a principal sede da instituição se localiza na Inglaterra, e tem em sua história a participação direta de Marius, que entrando em contato com seu amigo e então co-fundador da instituição em território britânico, Paul Baker, levou sua ideia de mudar a forma como a sociedade e a psiquiatria olham para os indivíduos ouvidores de vozes para além das fronteiras de seu país.
Paul, em texto de sua autoria, ressalta a trajetória do movimento até aqui e sua importância para o reconhecimento da autonomia dos indivíduos ouvidores diante de sua própria experiência:
“Talvez estejamos chegando lá. Uma maneira diferente de pensar sobre as vozes e uma nova forma de ajudar as pessoas que lidam com elas está sendo desenvolvida. Uma jornada que continua até hoje.”
Como lidar com o ouvir vozes no dia a dia
De acordo com o pesquisador Paul Baker, autor de cursos e materiais sobre o tema, compreender as vozes envolve mapear sua relação com a história de vida da pessoa. Entre os pontos observados estão:
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Identidade e experiências pessoais;
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Características das vozes (tom, frequência, conteúdo);
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Situações em que elas aparecem;
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Relação com familiares e rede de apoio.
Esse processo ajuda a construir um “código” a ser compreendido, revelando o que as vozes representam e como podem ser integradas na vida da pessoa.
Além do acompanhamento profissional, o apoio de familiares e amigos é fundamental para fortalecer a autoestima, a autonomia e a confiança de quem passa por essa experiência.
Com o apoio dessa rede em todo o mundo e, especialmente, dos ouvintes, alguns dos quais passaram longos períodos de tempo em atendimentos psiquiátricos, hoje, recuperam-se vidas, fazendo com que pessoas que antes sofriam com suas vozes, agora sejam capazes de dizer que as ouvem, que assim mesmo vivem tranquilos e que as aceitam como parte de si mesmos.
Conclusão: ouvir vozes e qualidade de vida
De acordo com a apostila de orientação escrita por Paul Baker em função de seu minicurso dado no Brasil sobre como lidar com o ouvir de vozes, existe uma forte relação entre a história do indivíduo, as vozes que este ouve e a maneira como este é capaz de lidar com elas.
Na medida em que os próprios ouvidores relatam elementos indicadores desta relação, como sua identidade, sua história, as características de suas vozes e o teor daquilo que escutam, fica mais simples de se observar o sentido que estas vozes têm para a sua vida e para a vida de pessoas próximas a eles, como seus familiares, que conseguem entender a recorrência de alguns conteúdos exibidos pelas vozes.

Em um processo de entrevistas/conversas, busca-se construir o mapeamento de alguns aspectos da existência desse indivíduo, o acessar dos possíveis gatilhos para as suas vozes e a sua cronologia, que faz referencia a sequência de suas aparições, visto que algumas vezes os ouvidores relatam o ouvir de mais de uma voz e em momentos distintos.
Resumidamente, pensam em conjunto, profissional e ouvidor, com o objetivo de alcançar aquilo que Paul nomeia como “constructo”, que nada mais seria do que aquilo que serve como a estrutura/alicerce das vozes ou, aquilo que elas querem representar quando dialogam com o indivíduo.
Por meio disso, descobre-se outro elemento fundamental da análise: o código a ser quebrado.
Realizado todo esse processo, sua ultima etapa consiste em quebrar o código estabelecido pelas vozes do indivíduo, de maneira que este, sempre em conjunto com o profissional que o acompanha, possa enxergar a origem de suas vozes; o porquê de seu conteúdo; e entender qual poderá ser a melhor forma para se lidar com elas dali em diante.

Mas a ideia aqui também não consiste em fazer tudo de forma solitária, entendido que o envolvimento de familiares, amigos e entes queridos se faz fundamental para o fortalecimento da esperança, do apoio e do novo sentido de vida que fora construído pelo indivíduo.
Trabalhar em si mesmo, em sua autoestima e autoconfiança, fazendo escolhas e se tornando o responsável por suas próprias decisões sem o advento negativo das vozes, mas sim se apropriando de sua experiência auditiva como outros exemplos o fazem.
Ouvir vozes não deve ser automaticamente visto como sinal de doença. Trata-se de uma experiência humana complexa, que pode ter diferentes significados e impactos na vida de cada pessoa.
Com informação, acolhimento e apoio adequado, é possível lidar melhor com as vozes e reduzir o estigma social que ainda cerca esse tema.

As vozes que se ouve, não tem nada haver com algum tipo de mediunidade?
Boa tarde, Luis!
e se pensarmos em termos espíritas, pode ter. As variáveis existem, mas o que se sabe é que está experiência – de ouvir vozes – acontece e é real para todos que as escutam.
Trnho um irmao e meu pai que ouvi vozes, trnho interesse em saber mais do assunto. Pois é um sofrimento p eles e nós também que sofremosem ve los nessa augustia, elas escutam vozes que os ofendem.
Eu tive uma experiencia ruim com estas vozes. Eu abordei errado quando comecei a escutar vozes, meu pai já escutava ha um tempo e eu seguir ele, só que tinha uns vizinhos meio errado onde eu moravaa, foi rápido e menos de um mês já perdi a esperança de viver. Faz nove anos que eu sofro. Agora eu acho que ouço vozes mas sempre quem falou ou eu falei foram com pessoas reais, mas crianças.
Olá Daniel, obrigado pelo relato da sua história. Você não está sozinho os grupos de ouvidores de vozes pode te ajudar em relação a essa experiencia trocando vivencias.
Eu escuto vozes a quase 8 anos, no começo foi bem difícil lidar com elas quase enlouqueci, mas voltei a me aproximar de Deus, ainda porém não sofro mas como antes e um tormento sim pra quem escuta, mas se voltar pra Jesus foi minha melhor escolha pois hoje em dia consigo lidar com as vozes e elas falam direto mas não tem mas domínio sobre mim e meus pagamentos Deus tem me ajudado.
Tb ouço…as vezes.
Muito ansiosa..perdi a mãe estou residindo sozinha com parentes perto.
Tudo que está acontecendo mortes pandemia me colocam pra baixo.
Estou indo de 3 em 3 meses na psiquiatra usando fluxotina de 10 fraco..agora com labirintite não é fácil.
Desculpe o desabafo.
Saúde e Paz 🙏 ..abraço
Boa noite,estava deitada no tapete da sala vendo tv e meu marido estava na cozinha ,eu ouvi a minha propria voz dizendo(pega o papel ai amor)😣achei q fosse coisa d minha cabeça mas logo em seguida meu marido chegou e perguntou (o q amor?)ai eu flei vc ouviu tbm ?! Eu acabei d ouvir a minha propria voz ele disse q ouviu eu pedindo pra ele pegar alguma coisa,foi a minha voz mas n foi eu q flei me assistei quando vi q ele tbm ouviu fiquei com muito medo e at agora tou assustada me ajudem😭tenho medo dessas coisas……foi a minha voz q eu ouvi,mas n foi eu q falei,💔
Foi a minha voz como s eu tivesse ouvindo eu msma,mas n em um audio ou uma ligaçao,como s tivesse eu msma em minha frente e tivesse flado
Também escuto elas sei que elas não podem nos machucar.
Bom dia amigo, sabe onde posso encontrar um desses grupos? Obrigado!
Ouço vozes e elas me mostraram tudo o que tinha vivido. Tenho sonhos onde uma das pessoas esta sempre envolvida diretamente comigo e outras duas a acompanham como se a ajudassem. Sinto como se fossem boas pessoas, mais algumas vezes conseguem nao sei como me fazerem sentir dor e remédios que talvez tomem. Me vejo como se estivesse totalmente no meu melhor normal, quando não sinto forte o controle que tem sobre mim. Obrigada por existir algo que possa ajudar a todos nesta situação.
Bom dia! Como profissional de saúde mental como consigo auxiliar um ouvinte na fase inicial ( assustado, confuso e sob efeito de distâncias psicoativas) a identifica se está de fato ouvindo vozes, ou se são seus pensamentos prevalentes? E concretamente quais as principais características de cada um?
Eu não sei no que acreditam ou deixam de acreditar podem pensar que é algo normal ou não,podem até achar que é loucura eu não me importo ,mais eu sei o que eu ouço e o que eu vejo e eu não gosto disso isso me assusta, me dá medo essa noite eu fiquei com muito medo de dormir por que sempre que eu fechava o olho eu conseguia escutar bem no ouvido torneira pingando o barulho era tão alto que eu me recusei a achar que era mesmo uma torneira pingando, acendi a luz e parou deitei novamente fechei os olhos e de novo no meu ouvido o mesmo barulho,acendi a lanterna do celular e nada parou de novo,na terceira vez fechei os olhos e eu estava começando a pegar no sono mais eu sei que eu estava acordada ainda então passou uma risada correndo por mim muito alta ,uma risada de uma criança que não era a minha filha nem teria como ser ela pois ela estava dormindo e era muito diferente a risada depois começou a sussurrar pelo quarto não parada mais sim pelo quarto todo ,uma única voz de uma criança eu levantei muito rápido com medo mesmo olhei pra todo lado em baixo das camas dentro do guarda roupa e nada,cheguei a imaginar que era a boneca que tava fazendo isso pois ela era a única que estava em cima do guarda roupa,então eu cubri a cabeça com muito medo é comecei a reepriender e a pedir a Deus para nós protejer e para me ajudar dormir pr que eu estava com medo ,então dormi e hoje conversei com meu pai e com minha mãe sobre o que estava acontecendo de novo, por que não era a primeira vez eu já até perdi as contas de tanta coisa que eu ouço que eu vejo e que eu recuso a acreditar eu não sei o por que disso eu só sei que eu não quero mais ver isso eu tenho medo principalmente quando estou sozinha eu prefiro não contar a todo mundo mais eu conto td que já passei a quem acredita.
Boa tarde!
Muito interessante este texto, mas o Professor Paul Baacker me respondeu a pergunta sobre as questões de ouvir vozes ligada há algumas crenças ” de estar louco, com o espírito do mal – ‘demônio’, com questões espirituais”, a minha pergunta foir direcionada Como fazer para desmistificar estas crenças?
Minha esposa é ouvidara, por esse motivo gostaria de saber se a grupos de ouvidores online?
Agradeço desde já!
Ouço atualmente com mais regularidade e mais nítido e quase sempre perguntas sobre algo que eu deveria saber sobre a espiritualidade divina essas vozes são desconhecidas para mim…. Agora com mais regularidades vozes de pessoas conhecidas de meu convívio falam comigo me alertando sobre algo ruim que pode estar para acontecer. Sinto que são pessoas que se importam e me pedem para eu nunca estar sozinha ou para sair de certos lugares. Acredito na espiritualidade e neste movimento externo que se comunica por telepatia. Seres evoluídos que nos cercam. Gostaria de participar de grupos de ouvintes online se algum puder me informar mais sobre.Agradeco
Olá, no grupo no instagram tem o link: @ouvidoresdevozespt
Famíliar está muito angustiado ouvindo voz e fazendo retrospectiva de sua vida toda. Não consegue livrar-se nenhum momento. Só dorme com medicação. Acorda e vem tudo de novo. Não sei como ajudar. Se puderem me informar a respeito agradeço.
Olá Helena, este ebook gratuito pode te ajudar: https://materiais.cenatcursos.com.br/guia-pessoas-ouvem-vozes